
Projetos de engajamento: plataformas digitais ou eventos presenciais?
- Carlos Junior
- 5 de nov. de 2025
- 9 min de leitura
Nos últimos anos, o debate sobre qual estratégia é mais eficiente para engajar sindicatos, conselhos e associações tem tomado novas proporções. Com a chegada das plataformas digitais, as assembleias, encontros e fóruns virtuais passaram a disputar espaço com o tradicional modelo presencial, obrigando gestores a se perguntarem: qual dessas abordagens oferece mais adesão, melhor custo, alcance, retenção e resultados práticos para as bases?
Na Communicare, temos acompanhado, de perto, a evolução das ferramentas de engajamento. Mas, mais do que isso, ouvimos as histórias reais por trás dos números. Entendemos que nem sempre a resposta é simples ou única. Por isso, este artigo busca sustentar cada argumento com dados e exemplos, mas também considera nuances culturais e regionais que fazem toda a diferença para conselhos, entidades de classe, movimentos sindicais e mandatos públicos.
A dúvida entre o digital e o presencial vai além da tecnologia. Ela toca pessoas, territórios, compromissos e expectativas.
A ascensão das plataformas digitais no engajamento institucional
Com a digitalização acelerada, plataformas online tornaram-se ambiente frequente de debates, consultas, votações e mobilizações. Conselhos regionais e federais, sindicatos, movimentos estudantis, coletivos de bairro: todos, em menor ou maior grau, sentiram esse movimento.
Segundo pesquisa da PUC Minas, o Brasil é hoje líder mundial em tempo gasto em redes sociais e se destaca pelo interesse em participar, comentar, aprovar ou rejeitar propostas e ideias via mídia digital. O ambiente online se solidificou como espaço de mobilização espontânea, debates públicos e pressão sobre líderes e instituições.
Ferramentas específicas para votações, gestão de associados, microtargeting político e pesquisas de opinião tornam cada vez mais fácil montar uma estratégia personalizada. Como detalhou um estudo na revista Comunicação e Sociedade sobre a plataforma Osoigo.com, o ambiente virtual reflete as mesmas complexidades e dinâmicas do cenário político: maior participação de determinados públicos, desafios para evitar viés e fortalecimento de grupos tradicionais, até mesmo em ambientes aparentemente mais democráticos.
Principais vantagens das plataformas digitais
Alcance ampliado: empresas, conselhos e sindicatos conseguem reunir membros de todo o Brasil (e, em casos específicos, do exterior) ao mesmo tempo, sem barreiras geográficas.
Custo geralmente inferior a eventos presenciais, uma vez que não requer deslocamentos, aluguel de espaço ou logística física.
Flexibilidade: os participantes podem acessar reuniões e contribuir de diferentes dispositivos, em horários variados, mesmo fora do “horário comercial”.
Facilitação de registros, atas, transmissão de lives, pesquisas rápidas e votação eletrônica.
Capacidade de gerar dados sobre o engajamento, permitindo análise detalhada posterior.
Por outro lado, a experiência nos mostra que só a tecnologia nunca foi suficiente para engajar todos. Sempre existem camadas de exclusão digital – desde a infraestrutura de internet instável até o desconhecimento de ferramentas pelos mais velhos ou menos escolarizados.
Resultados práticos: digital ou presencial na prática?
No dia a dia de sindicatos e conselhos, percebemos que engajamento de base é resultado de múltiplos fatores. Uma ferramenta digital, por si só, não reverte desinteresse generalizado; um evento presencial, sozinho, não dribla o esgotamento e as distâncias das grandes cidades.
Adesão e participação ativa
Dados compilados pela Revista do Serviço Público apontam aumento de participação em processos de orçamento participativo de Belo Horizonte e Recife após a adoção de ferramentas digitais, sobretudo entre jovens e trabalhadores do setor público com horários mais restritos.
Plataformas digitais atingem até 40% mais membros quando comparadas a convocações exclusivamente presenciais, especialmente em entidades com ampla base territorial.
Mesmo assim, o percentual de “participação ativa” (quem de fato opina e vota, não apenas se inscreve) pode ser menor online sem incentivos e moderação ativa.
Já no caso dos eventos tradicionais, a adesão costuma ser maior entre perfis mais engajados previamente: lideranças sindicais, eleitos, servidores com histórico de participação. Aqui, a presença física muitas vezes se associa à ideia de comprometimento real.
Custos diretos e indiretos
Encontros digitais tendem a exigir menos orçamento, já que eliminam gastos como aluguel de auditórios, coffee-breaks, reservas de hotel e transporte.
No entanto, plataformas robustas e sistemas de votação seguros têm custo próprio – licenças, suporte técnico, atualização de banco de dados, recursos de TI. Também exigem comunicação constante para garantir a presença online do público.
Em entidades menores, ou pouco digitalizadas, a despesa pode até se equiparar ao de um evento presencial simples.
O custo de um evento presencial, por sua vez, é claro: envolve espaço, logística, alimentação e deslocamento, mas oferece retornos subjetivos muitas vezes inestimáveis, como o contato olho-no-olho e a sensação de pertencimento.
Alcance geográfico versus profundidade do contato
Nossa experiência na Communicare mostra que plataformas online são ideais para expandir o alcance, mobilizando públicos que dificilmente viriam a um evento físico. Assembleias digitais tornaram possível a participação simultânea de milhares de pessoas de diferentes estados, inclusive em entidades com dezenas de filiais ou núcleos regionais.
Campanhas de microtargeting digital – impulsionadas, por exemplo, por grupos de WhatsApp municipais – otimizam o convite e a mobilização, segmentando públicos com precisão.Veja como maximizar resultados em campanhas de WhatsApp.
No entanto, eventos presenciais permitem aprofundar vínculos, gerar networking, interagir “fora da pauta” e identificar nuances do contexto local que passam despercebidas nas telas.
É comum ouvirmos de lideranças: por melhor que seja a transmissão online, um bom evento presencial marca mais; cria memória coletiva, gera histórias e fortalece laços subjetivos.
Retenção de participantes e continuidade
Projetos digitais dependem de estímulo frequente e recompensas simbólicas para garantir retorno dos participantes. O abandono, nesse ambiente, é alto se não houver acompanhamento.
Eventos presenciais têm adesão menor ao longo do tempo, exigindo contínua renovação e esforço para manter o público envolvido.
Ou seja, tanto no presencial quanto no digital, a palavra-chave é continuidade. Não há como esperar que uma assembleia única, seja ela virtual ou física, resolva questões estruturais de envolvimento da base.
Desafios das plataformas digitais para conselhos e sindicatos
Apesar de todos os atrativos, o ambiente digital apresenta obstáculos reais, sobretudo para quem lida com diversidade etária, socioeconômica e regional.
Acesso à tecnologia
Em áreas com infraestrutura limitada, zonas rurais ou comunidades periféricas, a conexão estável ainda é exceção. Muitas entidades relatam dificuldade em garantir participação de todas as regiões, especialmente se a plataforma exigir banda larga ou dispositivos mais novos.
Letramento digital e exclusão
Uma fração relevante da base sindical ou associativa pode se sentir insegura no uso de novas plataformas, o que gera rejeição ou distanciamento. A solução? Treinamentos práticos e equipes de suporte – mas que também representam investimento adicional.
Presença e informalidade
Mesmo com muitas ferramentas digitais disponíveis, há conteúdo subjetivo na presença física que dificilmente é reproduzido online. Intervalos para café, conversas nos corredores, trocas informais: tudo isso pode ser decisivo para formar consensos e construir confiança.
O papel dos eventos presenciais: tradição, confiança e mobilização
Eventos tradicionais mantêm um valor simbólico que vai além da pauta em discussão. Para muitos, deslocar-se até uma assembleia é sinal de respeito ao coletivo e oportunidade de convivência.
Cada vez mais, porém, vemos que a dinâmica presencial precisa ser reinventada. O público cansou de eventos longos, pouco produtivos, com falas infindáveis e resultados previsíveis. Espaços interativos, oficinas, mesas-redondas, workshops e votações eletrônicas feitas no próprio evento são formas de manter a atenção e dar nova energia ao encontro físico.
Principais vantagens do presencial
Favorece o senso de comunidade, pertencimento e confiança mútua.
;Permite leitura de linguagem corporal, o que reduz ruídos de comunicação e facilita mediação de conflitos;
Aproxima lideranças e membros, criando oportunidades para ouvir demandas “além da pauta official”.
Principais desafios do presencial
Custo elevado, principalmente em organizações com base nacional ou distribuída;
Dificuldade de conciliação de agendas e deslocamentos (principalmente em tempos de trabalho híbrido ou remoto);
Adesão limitada por geografia, impedindo participação de associados distantes do local do evento;
Pouco registro dos debates, caso não haja transmissão simultânea ou ata detalhada.
Comparando dados: o que dizem os estudos?
Muitas vezes, gestores e assessores se pautam no “senso comum” para tomar decisões. Mas alguns dados concretos já ajudam a iluminar o debate:
Pelo estudo divulgado pela USP, o uso de mídias digitais por gestores públicos aumentou a percepção de transparência e aproximou jovens do debate político.
Análise publicada na Opinião Pública mostrou que campanhas eleitorais digitais criam comunidades mais ativas ao redor de causas específicas, embora nem sempre convertam em mobilização offline.
Já estudo da Comunicação e Sociedade mostra diferenças de gênero, viés ideológico e distribuição geográfica até em ambientes digitais “livres”, reafirmando que o perfil dos participantes muda conforme o canal.
Plataforma digital amplia vozes, mas não significa automaticamente pluralidade plena.
Boas práticas para escolher entre digital e presencial
Com base em nossa vivência junto a conselhos, sindicatos e equipes de mandatos, algumas estratégias costumam ajudar na hora de decidir onde investir:
Mapear o perfil dos membros: Entender faixa etária, acesso à internet, familiaridade com tecnologia e cultura organizacional é ponto de partida fundamental.
Cruzar expectativas: Qual o objetivo do evento? É deliberativo, apenas consultivo ou visa construção coletiva? Assembleias decisórias, por exemplo, podem requerer ambiente híbrido.
Investir em comunicação pré-evento: Não importa o canal: se o público não compreender a importância da pauta, a adesão será baixa.
Oferecer treinamento e suporte: Para o digital funcionar, é preciso guiar os participantes iniciantes e garantir acessibilidade.
Hibridizar quando possível: Modelos mistos, que unem presença física e participação online, atendem diferentes públicos e aumentam engajamento geral.
Caso queira saber como adaptar estratégias para cada cenário, recomendamos nosso conteúdo específico em adaptação de estratégias de comunicação para eleições de entidades.
Casos reais e hipóteses práticas
Em uma entidade de classe nacional com 120 mil associados, a implementação de assembleias virtuais triplicou a participação nas eleições internas. No entanto, segmentos mais antigos, acostumados com votação em urnas físicas, expressaram sentimento de afastamento e perda de voz.
Já num sindicato regional do Sudeste, a adoção de reuniões online gerou maior frequência de participação, mas o índice de engajamento ativo caiu: poucos membros lideravam as discussões, e muitos entravam na chamada apenas para cumprir tabela. O problema foi parcialmente resolvido combinando encontros bimestrais presenciais a fóruns digitais interativos semanais.
Esses exemplos nos lembram que não há receita certa para todos, mas sim fórmulas que podem ser adaptadas e testadas.
Conteúdos como estratégias digitais para impactar eleitores e dicas para maximizar visibilidade conectando-se com associados trazem outras sugestões práticas alinhadas à nossa abordagem.
Pensando no futuro do engajamento institucional
Tecnologia nova, cultura velha? Em parte, sim. Mudanças reais exigem tempo. O digital ampliou vozes, democratizou acesso e viabilizou novas formas de consulta, mas também inventou desafios inéditos: combate a fake news, polarização instantânea, necessidade de atrair protagonismo dos mais jovens sem alienar os mais experientes.
A cultura colaborativa não nasce só com mais uma ferramenta, mas quando as pessoas sentem que suas vozes realmente têm eco aquela comunidade. Plataformas digitais e eventos presenciais, afinal, são meios. O fim – ou seja, o resultado desejado – sempre será pertença, credibilidade e realização conjunta.
Por tudo isso, insistimos: cada entidade deve experimentar, avaliar, corrigir rumos, e só então definir sua combinação ideal de digital e presencial. A Communicare acompanha você nesse processo, criando estratégias personalizadas para fortalecer sua base da forma mais alinhada ao seu contexto e à sua realidade brasileira.
Conclusão
A decisão entre investir em plataformas digitais de engajamento ou eventos presenciais não se resume a uma disputa, mas à busca pelo formato que mais respeita o perfil do seu público, os objetivos de cada ação e as especificidades regionais. Ambas as estratégias têm méritos e desafios, como mostramos ao longo deste artigo: o digital amplia o alcance, reduz custos e oferece dados detalhados, mas depende de cultura, suporte e acesso tecnológico. O presencial preserva vínculos, potencializa o coletivo e valoriza o contato humano, mas exige organização robusta e maiores recursos.
Na Communicare, acreditamos que só quem entende a realidade local e sabe combinar recursos digitais e presenciais pode construir bases realmente engajadas. Se deseja levar sua entidade para outro patamar, protegendo sua narrativa institucional e mobilizando com inteligência, conte conosco!
Entre em contato pelo nosso formulário e descubra como podemos desenhar juntos a solução ideal para o seu projeto de engajamento, alinhada às demandas brasileiras e à sua agenda de resultados.
Perguntas frequentes sobre engajamento digital e eventos presenciais
O que são plataformas digitais de engajamento?
Plataformas digitais de engajamento são ambientes online projetados para facilitar discussões, votações, consultas e mobilização de públicos em torno de pautas institucionais, políticas ou sindicais. Elas incluem desde grupos em redes sociais e aplicativos de mensagens até portais próprios de associações, conselhos e sindicatos. O objetivo principal é conectar pessoas, favorecer participação e gerar registro formal das decisões tomadas coletivamente.
Qual a vantagem de eventos presenciais?
Eventos presenciais ampliam os vínculos de confiança, permitem leitura mais rica das emoções e intenções dos participantes e fortalecem o sentido de comunidade. São ideais para debates profundos, negociações delicadas, networking e situações em que o contato humano faz diferença para o sucesso da iniciativa.
Como escolher entre presencial e digital?
Nossa sugestão é avaliar: O perfil do público (idade, acesso à internet, disposição para deslocamentos); O objetivo do evento (é para decidir, informar ou debater?); O custo-benefício de cada formato para sua realidade; Experiências anteriores e abertura para inovação ou mudanças.Em muitos casos, o ideal é combinar digital e presencial, integrando o melhor dos dois universos.
Eventos online são tão eficazes quanto presenciais?
Depende da meta. Eventos online atingem mais gente e são ótimos para votações e consultas rápidas, mas podem perder em profundidade, engajamento e formação de laços quando comparados a encontros presenciais. Indicadores de experiência mostram que, se bem planejados, formatos digitais podem entregar resultado semelhante ou até superior em mobilização numérica, porém com desafios próprios de retenção e senso de comunidade.
Qual o custo médio de uma plataforma digital?
O valor varia bastante: há plataformas simples, baseadas em grupos gratuitos, até sistemas sofisticados, com recursos de votação segura, transmissão ao vivo, integração a bancos de dados e suporte técnico profissional. Em geral, plataformas robustas cobram mensalidades ou licenças que podem ir de algumas centenas até alguns milhares de reais ao mês, a depender do número de usuários e funcionalidades. Em sindicatos e conselhos pequenos, plataformas customizadas podem ser ajustadas ao orçamento, se acompanhadas de boa comunicação e suporte prático.




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