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Riscos trabalhistas em campanhas eleitorais e cuidados jurídicos em 2026

  • Foto do escritor: João Pedro G. Reis
    João Pedro G. Reis
  • 30 de dez. de 2025
  • 9 min de leitura

A cada ciclo eleitoral, campanhas políticas se tornam cenários intensos de mobilização social, investimentos vultosos e contratação de equipes diversificadas. No entanto, o calor das estratégias e a pressão por resultados, frequentemente, abrem espaço para descuidos em pontos cruciais: a gestão das relações de trabalho dentro das campanhas. Mirando as eleições de 2026, é preciso discutir – com informação e responsabilidade – os riscos trabalhistas presentes nesse ambiente e os cuidados jurídicos que podem evitar prejuízos graves e danos reputacionais.

Nós, da equipe da Communicare, acreditamos que analisar cuidadosamente o cenário não é apenas uma exigência legal: é uma etapa inadiável para qualquer estrutura de comunicação política moderna. Nossa missão é orientar candidatos, partidos, sindicatos, entidades e gestores públicos sobre como estruturar campanhas seguras, eficientes e alinhadas às melhores práticas jurídicas do setor.


O cenário trabalhista nas campanhas eleitorais do Brasil


O universo das campanhas políticas brasileiras, em especial nos grandes ciclos como o de 2026, revela desafios próprios. Em geral, candidaturas e partidos precisam montar estruturas temporárias, mobilizando desde equipes administrativas até articuladores de base, militantes, comunicadores, coordenadores e consultores. Surge, então, a necessidade de definir contratos de trabalho, ajustar jornadas, cuidar da gestão de dados e, claro, manter rigor no cumprimento das leis trabalhistas.

Segundo pesquisa do Instituto Ethos, 90% das empresas percebem risco reputacional ao se envolverem em campanhas políticas, mas 85% não contam com orientações corporativas claras sobre as relações de trabalho nesse contexto. Trata-se, portanto, de um campo onde a falta de políticas bem definidas pode gerar não só processos trabalhistas, mas também crises de imagem com potencial perdurante.


Principais riscos trabalhistas na organização de campanhas eleitorais


As campanhas demandam foco em estratégias midiáticas, prestação de contas, coleta de dados, atuação digital e engajamento presencial. Em meio a esse turbilhão de tarefas, vemos riscos trabalhistas típicos, como:

  • Ligações ambíguas trabalhistas, sem clareza entre contratos CLT, PJ ou prestação de serviço eventual;

  • Jornadas de trabalho extensas, sem controle efetivo de horas extras, intervalos e descanso;

  • Falta de emissão de recibos, holerites ou contratos formais, dificultando comprovação de vínculo regular;

  • Remuneração “por fora” ou registros informais de pagamento;

  • Ambientes inseguros do ponto de vista da saúde ocupacional;

  • Assédio, discriminação e outras práticas lesivas aos direitos fundamentais do trabalhador;

  • Atuação de militantes ou apoiadores em condições equiparadas à relação de emprego, sem proteção mínima legal;

  • Ausência de políticas claras de prevenção à violência política e eleitoral, expondo equipes a riscos físicos e psicológicos.

Esses cenários geram ações na Justiça do Trabalho, pedidos de reconhecimento de vínculo, indenizações por danos morais e multas administrativas. Quando falamos em campanhas grandes – com centenas de pessoas diretamente engajadas –, o perigo se expande proporcionalmente.

Gestão jurídica detalhada protege a campanha e os responsáveis legais.

Essa camada de risco, quando subestimada, pode resultar em contas bloqueadas, inegibilidade, prejuízos ao candidato, ao partido e à própria imagem do projeto político.


O crescimento das ações trabalhistas em ano eleitoral


O tema se tornou ainda mais urgente devido ao aumento de ações na Justiça do Trabalho relacionadas a campanhas, sobretudo sobre assédio eleitoral e condições laborais inadequadas. De acordo com informações do Painel de Monitoramento de Combate ao Assédio Eleitoral no Trabalho, lançado recentemente, já foram identificados cerca de 180 processos relacionados desde sua criação. O robô desenvolvido avalia e filtra petições iniciais, evidenciando como a judicialização está cada vez mais sofisticada e abrangente.

As consequências não são apenas financeiras: processos trabalhistas podem se transformar em verdadeiros escândalos políticos, especialmente diante do alto nível de exposição das campanhas. O acordo entre TSE, TST e CSJT busca ampliar o intercâmbio de dados sobre práticas irregulares e fortalecer a atuação conjunta pelo respeito à liberdade de voto, o que coloca as campanhas sob maior vigilância institucional (confira detalhes no site do TSE).

Vale lembrar também que episódios de violência política e eleitoral vêm crescendo. A terceira edição da pesquisa ‘Violência Política e Eleitoral no Brasil’ revelou recorde de casos recentes, indicando ambiente de pressão, riscos físicos e emocionais para trabalhadores de campanha (saiba mais).


O que diz a legislação trabalhista sobre campanhas eleitorais?


O ordenamento jurídico brasileiro não criou normas exclusivas para o trabalho em campanhas políticas, mas isso não significa ausência de regras. A relação regida pela CLT, contratação de pessoas jurídicas (PJs) para funções técnicas, serviços eventuais e voluntariado devem ser bem diferenciadas para evitar passivos futuros.

Contratar de forma regular minimiza significativamente o risco de condenações trabalhistas no pós-eleição.

Os principais pontos de atenção para 2026 são:

  • Respeito integral às regras da CLT para empregados formais;

  • Clareza no escopo do trabalho para PJs e prestadores de serviço;

  • Registro documental de voluntariado, respeitando as condições legais e não confundindo obrigações com vínculo empregatício;

  • Pagamentos através de vias formais, sempre com recibos e contratos assinados.

A diferença entre contratar um coordenador, um programador ou um panfleteiro pode estar justamente nos limites legais do vínculo: “subordinação”, “habitualidade”, “pessoalidade” e “onerosidade” ainda são os pilares para que a Justiça reconheça – ou não – uma relação de emprego. Contratos, atas de reuniões, relatórios de atividades e holerites funcionam como escudo jurídico nesse contexto.


Contratação formal: CLT, Pessoa Jurídica ou voluntariado?


Cada formato de contratação na campanha possui critérios específicos e consequências distintas. Vamos detalhar cada opção:

  • CLT: Ideal para funções que impliquem subordinação direta, cumprimento de horário e continuidade. Exige todos os encargos previdenciários e trabalhistas previstos em lei.

  • Pessoa Jurídica (PJ): Contratações para serviços técnicos, consultorias ou fornecimentos pontuais. Somente devem ser utilizadas quando não houver vínculo de subordinação e habitualidade diária.

  • Voluntariado: Permitido, desde que documentado em termo próprio e restrictivo a relações sem remuneração. O voluntariado não pode mascarar obrigações de rotina nem criar direitos semelhantes ao empregado comum.

Na vivência da Communicare, já presenciamos situações em que a escolha inadequada do tipo de contrato trouxe autuações que poderiam ter sido evitadas. Para 2026, recomendamos revisar cuidadosamente cada função e registrar os vínculos de maneira detalhada, principalmente nos postos administrativos e comunicacionais.


Assédio eleitoral e riscos reputacionais – Como prevenir?


A partir do último ciclo eleitoral, tornou-se público o esforço das instituições em prevenir e coibir o assédio eleitoral no trabalho. TSE, TST e CSJT firmaram acordo de cooperação, ampliando mecanismos de denúncia, identificando casos e fortalecendo o combate ao abuso em ambientes laborais de campanhas.

Nenhuma estratégia compensa os danos de uma denúncia de assédio eleitoral.

Assédio eleitoral corresponde a coações, ameaças, constrangimentos ou ações que visem influenciar, restringir ou direcionar o voto de profissionais envolvidos na campanha. Além de prejudicar a imagem pública, pode gerar indenizações e perda do mandato se comprovado o envolvimento do candidato.

Entre as práticas para evitar o assédio e blindar juridicamente a comunicação interna, recomendamos:

  • Orientar equipes para não misturar relações hierárquicas com imposições de posicionamento político;

  • Reforçar a confidencialidade do voto e garantir espaço seguro para opiniões divergentes;

  • Adotar políticas de conduta publicizadas internamente e receber denúncias de forma sigilosa e acolhedora;

  • Registrar treinamentos e comunicados com protocolos formais.

Cabe também consultar estratégias como as apresentadas em nosso conteúdo sobre como lidar com ataques jurídicos em campanhas políticas, buscando a prevenção de desgastes que possam abalar a reputação do projeto.


Jornada, descanso e direitos dos trabalhadores de campanhas


Mesmo em contextos de urgência, a legislação permanece válida. Jornadas excessivas, ausência de intervalo, não pagamento de horas extras e falta de descanso semanal estão entre as principais irregularidades autuadas na Justiça do Trabalho.

A pressão do calendário eleitoral não permite descuidar, sob pena de multiplicar passivos trabalhistas e ações coletivas no pós-eleição.

Alguns cuidados práticos para as eleições de 2026:

  • Fontes claras de controle de jornada (planilhas, aplicativos, registros digitais ou manuais);

  • Definição de escalas e folgas documentadas;

  • Pagamentos dentro do prazo, registrados e transparentes;

  • Controle de ambientes de trabalho seguros (campanhas de rua, reuniões, visitas e eventos);

  • Prevenção ao trabalho infantil e condições insalubres;

  • Disponibilização de canal de denúncia anônimo para situações irregulares.

Consideramos valiosa a leitura do nosso conteúdo sobre prevenção de conflitos jurídicos para sindicatos e conselhos, pois traz exemplos de gestão que se aplicam também ao universo eleitoral.


Documentos, contratos e provas: O que não pode faltar num processo seguro?


Na atuação jurídica, a qualidade dos documentos faz toda a diferença. Relembrando, são essenciais:

  • Contratos assinados e digitalizados de empregados e prestadores de serviço;

  • Recibos e holerites (físicos e digitais), com detalhamento de valores e datas;

  • Registros de controle de jornada comprovados;

  • Comprovantes de treinamento, normas internas e conduta antiassédio;

  • Atas ou relatórios de reuniões operacionais e atividades externas;

  • Termos de voluntariado, devidamente assinados.

Quanto melhor a documentação, maior a chance de sucesso caso a campanha precise se defender de ações trabalhistas após o pleito.


Monitoramento e consultoria jurídica contínua: Um diferencial para 2026


Com o uso maior de dados, tecnologias e novas mídias em campanhas, a rastreabilidade das relações e decisões jurídicas passou a ocupar papel de destaque. Monitorar judicialmente as ações, atrelar rotinas a recomendações jurídicas e manter advogados especializados na equipe são valores agregados e, em muitos casos, decisivos para evitar autuações ou responder de forma adequada a qualquer disputa.

Entre as ferramentas disponíveis, destacamos o monitoramento jurídico eleitoral em tempo real como recurso essencial para rastrear mudanças normativas, decisões e possíveis notificações referentes à campanha.

Ao aliar consultoria especializada – preferencialmente formada por profissionais externos, dedicados e independentes do círculo íntimo da candidatura – as campanhas aumentam sua resiliência. Para mais orientações sobre os diferentes tipos de consultoria, apresentamos um guia sobre consultoria eleitoral ou jurídica própria que pode auxiliar na tomada de decisão rumo a 2026.


Consequências de falhas trabalhistas em campanhas eleitorais


Não é raro que campanhas sejam surpreendidas, meses ou anos após o pleito, por notificações e autuações decorrentes do descuido com vínculos de trabalho. Entre as principais consequências, destacamos:

  • Condenações ao pagamento de salários atrasados, férias, 13º, FGTS e verbas rescisórias;

  • Multas e penalidades administrativas (inclusive relativas à saúde e segurança do trabalho);

  • Reconhecimento de vínculo trabalhista para prestadores ou voluntários, resultando em custos imprevistos;

  • Danos morais e coletivos em razão de assédio eleitoral ou condições inadequadas;

  • Bloqueio de recursos e bens do candidato, do partido ou da coligação;

  • Riscos de inelegibilidade e danos à reputação do grupo político.

Para ilustrar, já atuamos junto a campanhas que precisaram reorganizar profundamente suas rotinas administrativas após sofrerem processos originados por insatisfação da equipe e falta de registros. A prevenção supera, sempre, a remediação.


Boas práticas e recomendações para campanhas em 2026


Criamos um checklist prático para gestores e equipes de comunicação política preocupados em alinhar seus projetos às exigências legais nas próximas eleições:

  • Treinamento prévio da equipe sobre regras trabalhistas, assédio e conduta ética;

  • Escolha criteriosa do formato de contratação, com apoio de assessoria jurídica;

  • Redação e assinatura de contratos individualizados, detalhando função, remuneração e prazo;

  • Pagamentos centralizados, preferencialmente via conta bancária e sempre com recibo;

  • Definição de um canal seguro para denúncias internas de irregularidades;

  • Controle detalhado de jornada, folgas e escalas – inclusive para equipes externas;

  • Conservação organizada de todos os documentos de cada colaborador ou voluntário;

  • Monitoramento jurídico e atualização constante, diante de mudanças normativas.

Recorrendo à nossa experiência na Communicare, defendemos que a contratação de uma consultoria especializada, associada ao comprometimento do núcleo dirigente da campanha, é o caminho mais seguro e sustentável – protegendo todos os envolvidos antes, durante e após o pleito.


Conclusão


A complexidade das campanhas eleitorais em 2026 exige muito mais que estratégia política e força de comunicação. Um roteiro jurídico sólido, desenvolvido em parceria com especialistas, representa o divisor entre campanhas sustentáveis e projetos vulneráveis a perdas trabalhistas e crises reputacionais.

Nossa equipe da Communicare, capitaneada por João Pedro Reis, está à disposição de quem busca construir campanhas fortes, seguras e respeitadas diante da Justiça e da opinião pública. Se seu projeto deseja evitar riscos trabalhistas em campanhas eleitorais e garantir tranquilidade jurídica durante todo o processo, convidamos para um contato consultivo pelo formulário disponível em nosso site. Mostramos, na prática, como o planejamento, a documentação e a assessoria preventiva salvam reputações e viabilizam vitórias consistentes.


Perguntas frequentes sobre riscos trabalhistas em campanhas eleitorais



O que são riscos trabalhistas em campanhas eleitorais?


Riscos trabalhistas em campanhas eleitorais referem-se à possibilidade de processos judiciais, autuações e indenizações decorrentes da má gestão das relações de trabalho. Isso inclui irregularidades em contratos, jornadas, forma de pagamento, ausência de documentação e práticas como assédio eleitoral ou exposição a condições inseguras. Tais riscos podem afetar tanto o resultado eleitoral quanto a reputação do candidato ou partido.


Quais cuidados jurídicos devo ter em 2026?


Em 2026, os cuidados incluem definir com clareza o tipo de contratação aplicável (CLT, PJ ou voluntariado), formalizar contratos, registrar jornada e pagamentos, adotar políticas antiassédio, garantir ambientes de trabalho seguros e manter toda a documentação organizada. Além disso, recomendamos acompanhamento jurídico contínuo e atualização quanto às normas recentes sobre relações de trabalho em campanhas.


Como evitar ações trabalhistas em campanhas?


Para reduzir a chance de ações trabalhistas, foque em três pilares: contratação legal de cada membro da equipe, documentação detalhada (contrato, recibo, controle de jornada) e criação de canal seguro para denúncias e dúvidas trabalhistas. Também é recomendável treinar os líderes para identificar e solucionar situações irregulares rapidamente.


Vale a pena contratar CLT em campanha eleitoral?


A contratação via CLT é segura e apropriada para funções que exigem subordinação direta, jornada fixa e habitualidade. Para cargos com essas características, é o método mais protegido contra riscos jurídicos. Quando a função for eventual ou por demanda, pode-se considerar PJ ou voluntariado, desde que documentado e sem configuração de vínculo. A escolha deve ser feita caso a caso, com apoio de especialistas jurídicos.


Quais são as principais leis trabalhistas aplicáveis?


As principais normas são os artigos da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), que tratam sobre contratação, jornada, remuneração, saúde ocupacional, férias e rescisão. Adicionalmente, a Lei do Voluntariado regulamenta o trabalho não remunerado, e há entendimento da Justiça sobre limites para contratação de PJs. O descumprimento desses dispositivos pode acarretar processos, multas e danos à campanha.

 
 
 

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