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Códigos de ética para a comunicação digital institucional

  • Foto do escritor: João Pedro G. Reis
    João Pedro G. Reis
  • 24 de nov. de 2025
  • 9 min de leitura

No cenário atual brasileiro, a comunicação digital de instituições, órgãos públicos, sindicatos e entidades de classe ganhou centralidade no diálogo social e político. Ao longo dos anos, percebemos junto aos nossos clientes da Communicare que o aumento da exposição na internet pede transparência, clareza e sobretudo, práticas éticas consistentes. Não se trata apenas de evitar deslizes, mas de construir credibilidade e confiança que resistam a crises e oscilações de imagem.

Ética na comunicação digital é o elo mais visível entre o discurso e a reputação.

Por meio deste artigo, guiados por nossa experiência prática e pesquisas em comunicação estratégica, queremos mostrar como instituir, aplicar e atualizar códigos de ética voltados ao universo digital institucional, sejam eles para setores públicos, associações, conselhos de classe ou equipes eleitorais. Discutiremos princípios, exemplos de códigos brasileiros recentes, boas práticas, tendências, riscos da omissão e as formas mais eficientes de transformar diretrizes éticas em ações do dia a dia.


Por que códigos de ética são indispensáveis na comunicação digital?


A internet acelerou fluxos de informação, diluiu fronteiras e restringiu a possibilidade de “controle” sobre narrativas. Mensagens se tornam virais em minutos e qualquer atitude institucional repercute não apenas para públicos internos, mas para toda a sociedade.

Um código de ética digital é uma bússola: define limites, referências e engaja equipes em torno dos mesmos valores. O ambiente virtual potencializa riscos – como fake news, vazamentos de dados, manifestações individuais tidas como institucionais e ataques reputacionais – exigindo respostas rápidas, integradas e, principalmente, fundamentadas nos princípios que a organização defende publicamente.

  • Evitar conflitos de interesse ao comentar ou compartilhar temas políticos.

  • Orientar o tom, a linguagem e o formato das postagens oficiais.

  • Proteger reputação da instituição frente a comentários de colaboradores.

  • Estabelecer procedimentos diante de notícias falsas e crise de imagem.

  • Garantir privacidade e sigilo de dados sensíveis.

Além disso, códigos de ética atualizados fortalecem a percepção de profissionalismo e responsabilidade. Segundo a Advocacia-Geral da União, o código de ética institucional lançado após consulta pública com mais de 540 contribuições trouxe à tona o compromisso coletivo de toda a administração em fortalecer a integridade do serviço público.


Principais valores e princípios de um código de ética digital


Para ser referência, um código precisa ir além do básico. Quando pensamos em comunicação digital institucional, sugerimos que os seguintes valores estejam obrigatoriamente contemplados:

  • Transparência: Todas as informações divulgadas ao público devem ser verdadeiras, atualizadas e facilmente compreendidas.

  • Imparcialidade: Evitar favorecimentos, opiniões pessoais do representante confundidas com a posição da instituição e conflitos de interesse.

  • Respeito à privacidade: Cuidados redobrados no tratamento e divulgação de dados pessoais ou informações sigilosas.

  • Responsabilidade: Assumir consequências pelas publicações, prestando contas em caso de erro ou desinformação.

  • Civilidade e respeito: Mesmo diante de críticas ou ataques, a postura institucional deve ser serena e fundamentada em argumentação ética.

  • Legalidade: Todo conteúdo deve observar as legislações vigentes relativas à comunicação institucional, eleitoral e à proteção de dados (como a LGPD).

Esses valores estão alinhados às recomendações da Comissão de Valores Mobiliários, especialmente quando orientam servidores, representantes e conselheiros sobre a necessidade de prudência ao se posicionarem nas redes sociais.


Como criar um código de ética digital especificamente para comunicação institucional


Em nossa atuação junto a entidades públicas e privadas, observamos que o melhor resultado surge da construção coletiva. Quando equipes e representantes participam da formulação das regras, a adesão cresce e a aplicação vira rotina.

Acreditamos que o processo pode ser dividido em quatro etapas:

  1. Diagnóstico: Mapear situações críticas recentes, pontos frágeis, demandas da sociedade e dos próprios servidores/funcionários nas redes digitais.

  2. Participação: Envolver representantes de diferentes áreas, equipes de comunicação, assessores jurídicos e a liderança institucional em workshops, debates ou consultas.

  3. Redação: Elaborar um documento objetivo, com linguagem acessível e exemplos reais/hipotéticos para ilustrar situações conflitantes comuns no ambiente digital.

  4. Divulgação e atualização: Lançar oficialmente o código, promovendo treinamentos e revisando-o periodicamente, conforme mudanças sociais, legais e tecnológicas.

Um código de ética nunca deve ser engessado: ele é instrumento vivo, adaptável e testado diariamente.

Fique atento ao nosso guia prático sobre criação de códigos de conduta digital para campanhas eleitorais para exemplos práticos e ferramentas para equipes políticas.


Diretrizes fundamentais para comunicação digital ética


A comunicação ética no universo digital dialoga não só com boas práticas internas, mas também com a reputação externa da instituição. A partir dos estudos publicados na revista Pensar Acadêmico sobre a percepção de servidores quanto à ética, destacamos os eixos fundamentais que devem nortear toda conduta digital institucional:

  • Clareza de autoria e oficialidade: Separar claramente opiniões pessoais de posicionamento institucional nas redes.

  • Conferência e validação de informações: Toda informação veiculada precisa ser previamente validada, evitando a disseminação de dados incorretos.

  • Sensibilidade a temas socioculturais: Considerar diversidade e pluralidade das audiências, evitando postagens discriminatórias, preconceituosas ou insensíveis a grupos minoritários.

  • Registro e rastreabilidade: Manter arquivos e históricos das publicações para monitorar, prestar contas e, se necessário, retificar conteúdos.

Essas diretrizes auxiliam diretamente na operacionalização do código de ética, tornando-o parte do cotidiano, não um mero documento olvidado.


Riscos da ausência de códigos éticos digitais


Identificamos, na Communicare, que os principais riscos decorrem não do erro eventual, mas da omissão em tratar eticamente situações frequentes, como danos à reputação, atritos de opinião interna e externa, ou uso inadequado das plataformas institucionais.

  • Mensagens desencontradas por falta de alinhamento entre porta-vozes.

  • Crises de imagem mal geridas frente a equivocadas reações públicas.

  • Influência política indevida contaminando canais e informações institucionais.

  • Quebra de privacidade e segurança de dados por falha em procedimentos digitais.

Tais fragilidades podem comprometer até mesmo decisões judiciais, a estabilidade institucional e a relação com públicos estratégicos.

Por isso, recomendamos como leitura complementar o conteúdo gestão de crises reputacionais em instituições, onde aprofundamos protocolos e respostas pautados por ética e transparência.


Exemplos recentes e tendências no Brasil


A participação social na elaboração de códigos de ética cresce de modo consistente em entidades públicas brasileiras. O processo realizado pela AGU, que reuniu mais de 500 sugestões da sociedade civil antes da publicação de seu primeiro código de ética, foi exemplo de inovação e transparência no setor público federal.

Outro exemplo relevante vem do manual de orientação da CVM. Este documento realça a responsabilidade dos servidores e dirigentes, recomendando cautela máxima em comentários de redes, especialmente quando o responsável é identificado como parte da instituição.

A discussão conduzida pelo Grupo de Trabalho Interministerial GT-Ética também reforçou a necessidade de atualizar normas à luz do trabalho remoto, inteligência artificial e outros avanços que desafiam padrões tradicionais, tornando questões éticas emergentes ainda mais presentes no debate público.


Como tornar o código de ética prático e eficiente?


Em nossa experiência, o sucesso da aplicação depende de passos simples, mas decisivos:

  • Capacitação: Inclua treinamentos regulares para todos os agentes de comunicação e líderes.

  • Exemplificação: Ofereça exemplos claros, detalhando situações cotidianas e condutas esperadas.

  • Mecanismos de denúncia e orientação: Disponibilize canais seguros para dúvidas e relatos de eventuais desvios.

  • Monitoramento: Avalie periodicamente condutas, ajustando normas às novas demandas ou ao diagnóstico de riscos emergentes.

A sensibilidade institucional pode ser cultivada por meio de uma gestão ética do dia a dia e por reflexão constante sobre o uso das redes sociais. Defendemos que a ética é praticada, não apenas ensinada.


Aplicação prática em diferentes tipos de instituições


Na Communicare, acompanhamos desde conselhos de classe, passando por autarquias até sindicatos e conselhos profissionais. Cada estrutura demanda enfoques próprios no código de ética digital, sempre respeitando normas, mas também as peculiaridades daquela cultura organizacional.

  • Em autarquias e conselhos, o foco recai sobre evitar partidarismos e o uso político das plataformas digitais.

  • Em sindicatos e associações, conflitos de interesse, informações estratégicas e ataques virtuais costumam ser situações mais frequentes.

  • No setor público, o desafio reside em alinhar comunicação institucional aos preceitos legais e à responsabilidade de informar de modo isento.

Personalizar o código de ética ao perfil institucional fortalece o sentido de pertencimento e a eficácia das diretrizes.


Como manter o código de ética atualizado?


O universo digital é, de fato, marcado por mudanças rápidas. Plataformas, regulamentações e expectativas sociais evoluem a cada ano. Portanto, recomendamos a criação de um calendário para revisão periódica dos códigos de ética digital, prevendo pelo menos uma atualização anual ou sempre que houver mudanças legais substanciais.

  • Inclua líderes de comunicação, jurídico e TI no processo de atualização.

  • Estimule a participação dos servidores e colaboradores por meio de enquetes e consultas anônimas.

  • Monitore tendências em privacidade, proteção de dados e transparência digital.

  • Esteja atento(a) ao surgimento de novas ferramentas digitais e desafios que possam impactar a rotina institucional.

No artigo estratégias de baixo custo para comunicação institucional mostramos alternativas práticas para pequenas e médias organizações manterem seus códigos e políticas sempre em dia, sem grandes investimentos.


O papel da liderança e da cultura institucional


A liderança exerce papel central na disseminação e cumprimento do código de ética digital. Não basta publicar o documento: é preciso liderar pelo exemplo, conduzir processos transparentes de apuração e resposta diante de eventuais infrações e estimular o diálogo permanente para aperfeiçoamento das regras.

Na Communicare, defendemos que cultura ética institucional nasce da prática coletiva, do incentivo ao comportamento íntegro e da premiação de atitudes responsáveis. Para isso, sugerimos:

  • Reconhecimento institucional a iniciativas que fortaleçam a ética digital.

  • Inclusão do tema em reuniões periódicas de equipes, não apenas em treinamentos pontuais.

  • Revisão dos procedimentos disciplinares para adequação aos tempos e ferramentas digitais.

A cultura ética se cultiva no cotidiano das menores atitudes institucionais.

Quando o código de ética institucional precisa ser reforçado?


Alguns sinais indicam urgência em promover atualização e novo ciclo de debates sobre ética digital:

  • Surgimento de polêmicas públicas envolvendo colaboradores da instituição em redes sociais.

  • Repercussão negativa de posicionamentos questionáveis publicados nos perfis oficiais.

  • Entradas massivas de novos membros em equipes, sobretudo em anos eleitorais ou de expansão digital.

  • Identificação de vulnerabilidades, vazamentos ou ataques a dados estratégicos.

Nestes momentos, é fundamental não apenas rememorar as normas, mas promover rodas de conversa, workshops e abrir espaço para sugestões – tal como defendido pelas tendências de revisão participativa demonstradas em estudos da revista Pensar Acadêmico.


Benefícios concretos de um bom código de ética digital


Além da conformidade legal, um código de ética bem construído contribui diretamente para área de comunicação institucional com resultados tangíveis:

  • Redução do risco de processos judiciais por publicações equivocadas.

  • Aumento da confiança da sociedade, imprensa e órgãos controladores quanto à integridade das informações.

  • Maior engajamento da equipe interna, que se sente protegida e respaldada para agir com autonomia responsável.

  • Crescimento sustentável da presença digital, com autoridade reconhecida e baixa incidência de crises reputacionais.

O código de ética digital é hoje um ativo estratégico imprescindível para instituições que desejam se manter relevantes e confiáveis perante seus públicos.


Nossa experiência transformando ética em reputação


Por meio de dezenas de projetos junto a entidades nacionais, a Communicare já presenciou a evolução de equipes inteiras após implementação de programas de integridade e ética digital.

Vimos crises transformarem-se em oportunidade de diálogo, antigos erros virarem aprendizado coletivo e novos líderes despontarem ao incorporar princípios éticos ao discurso e à prática cotidiana.

Para as instituições que buscam, além de resultados, construir legado, recomendamos fortalecer o compromisso com códigos de ética digitais e outros instrumentos derivados, como manuais de conduta e guias de interação em redes sociais.


Conclusão


A construção de códigos de ética para a comunicação digital institucional deixou de ser algo opcional para transformar-se numa necessidade urgente frente à velocidade e impacto das informações virtuais em todos os segmentos do setor público e privado.

Ética digital vai além de prever cenários negativos ou criar barreiras de autoproteção: é principalmente sobre fortalecer a credibilidade, engajar equipes e relações externas e sedimentar um diálogo aberto entre instituição e sociedade.

Na Communicare, assessoramos gestores, conselhos, sindicatos e partidos a desenhar e implementar códigos que fogem dos modelos prontos, ancorando sua reputação em valores atemporais adaptados à urgência do nosso tempo.

Se sua instituição deseja revisar, criar ou revitalizar seu código de ética digital, converse conosco! Nossa equipe está pronta para analisar as demandas específicas do seu cenário, propor soluções e garantir uma comunicação digital ética, moderna e humanizada.

Preencha o formulário no site da Communicare e fortaleça a ética na sua instituição. Dê hoje o passo para reputação e influência que resistem ao teste do nosso tempo.


Perguntas frequentes sobre código de ética digital



O que é um código de ética digital?


Um código de ética digital é um documento que reúne regras, princípios e orientações destinados a guiar o comportamento de pessoas e equipes no ambiente virtual especializado de cada instituição.Tais códigos regulam postagens, opiniões, compartilhamentos, tratamento de dados, resposta a crises e asseguram que toda comunicação seja compatível com os valores institucionais, evitando riscos à reputação e prejuízos legais.


Como criar um código de ética institucional?


A criação parte do diagnóstico das necessidades e desafios da organização, envolve debates participativos com todos os setores e culmina na redação de regras claras, com exemplos práticos.O ideal é lançar o código acompanhado de treinamento e revisá-lo periodicamente diante de novas demandas digitais, normatizando tanto a conduta de porta-vozes quanto o fluxo de informações pelas redes sociais oficiais.


Por que seguir um código de ética na comunicação?


Seguir um código de ética na comunicação preserva a integridade, transparência e confiança entre instituição e sociedade, garantindo uma imagem positiva e protegendo contra crises.Além disso, reduz riscos de processos judiciais e facilita tomada de decisão em situações delicadas, servindo como referência segura para toda a equipe.


Quais são os principais princípios éticos digitais?


Os principais princípios são: transparência em todas informações divulgadas, imparcialidade (evitando favorecimentos e conflitos de interesse), respeito à privacidade de dados e opiniões, responsabilidade pelas publicações, legalidade quanto à lei vigente (LGPD, por exemplo), e respeito a todas as pessoas e públicos do ambiente digital institucional.


Como aplicar ética na comunicação digital?


Aplicar ética na comunicação digital exige treinar equipes, alinhar procedimentos, monitorar informações divulgadas, manter canais para denúncias e revisar periodicamente o código de ética.É fundamental separar opiniões pessoais de posicionamentos oficiais, priorizar informações verdadeiras e estar atento a legislações e tendências sociais que impactam o ambiente virtual institucional.

 
 
 

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