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Hipersegmentação: exemplos práticos nas eleições de 2026

  • Carlos Junior
  • 18 de out. de 2025
  • 8 min de leitura

No cenário atual da comunicação política, poucas tendências têm provocado tanto interesse e debate quanto a hipersegmentação. Em ano eleitoral, cada voto importa. E identificar exatamente onde e como conversar com nichos de eleitores pode ser a diferença entre vitória e derrota. Em nossa experiência na Communicare, acompanhamos de perto a evolução desse conceito, sua aplicação prática e os resultados obtidos em campanhas políticas reais. Neste artigo, vamos contar histórias, apresentar dados e propor caminhos. Afinal, hipersegmentar já não é uma escolha: é parte central da estratégia eleitoral moderna no Brasil.


O que significa hipersegmentar em campanhas eleitorais


No passado, o conceito de segmentação já era presente. Candidatos identificavam, em linhas gerais, blocos de eleitores: jovens, mulheres, trabalhadores de setores específicos. Era, porém, uma divisão ainda pouco refinada. A hipersegmentação nasce da necessidade de ir muito além: ela trabalha a divisão do público em grupos altamente específicos e mutuamente diferenciados, considerando variáveis como comportamento digital, microterritórios, crenças, consumo cultural e preocupações individuais.

Pode parecer algo puramente teórico, mas sua aplicação já é rotina em campanhas que visam resultados concretos. Em um país com mais de 155,9 milhões de eleitores, divididos por faixas etárias, escolaridade, gênero e localização – como mostram as estatísticas do TSE – essa técnica amplia profundamente a efetividade da comunicação política.

A eleição é vencida em detalhes. A mensagem certa para a pessoa certa, no momento certo, transforma intenções em votos.

Por que hipersegmentação será ainda mais forte em 2026?


De 2018 para cá, o Brasil presenciou uma aceleração digital gigantesca. A pandemia escancarou as interações online, e a disputa eleitoral passou a contar, cada vez mais, com inteligência artificial, Big Data, microtargeting e automação nas comunicações.

Para 2026, antecipamos um ambiente ainda mais complexo. Os dados digitais cresceram em velocidade exponencial. Ao mesmo tempo, a legislação evoluiu, exigindo transparência, porém abrindo espaço para táticas sofisticadas e plenamente alinhadas aos parâmetros legais brasileiros.

As pesquisas sobre hipersegmentação nas eleições de 2022 demonstram a tendência de adaptação dinâmica das mensagens e dos canais em tempo real, de acordo com a resposta dos públicos. Isso impulsiona a personalização e a ampliação da ideia de nicho – que antes era restrita ao marketing eleitoral clássico – para praticamente todas as fases e formatos de campanha.


Como funciona a hipersegmentação na prática?


Não há fórmula única, mas certos passos são comuns. Primeiro, coleta-se e cruza-se dados detalhados dos eleitores: registros públicos, dados das redes sociais, pesquisa de opinião, histórico de participação anterior, entre outros.Depois, estrutura-se a base em clusters. O que são? Agrupamentos de pessoas com características ou comportamentos altamente similares – muitas vezes, algo invisível na segmentação tradicional.Na sequência, produz-se conteúdo relevante, direcionado, ajustando linguagem, formato e timing àquela célula de público. E, por fim, acompanha-se a performance em tempo real, ajustando mensagem, canal e até o incentivo conforme a reação desse microgrupo.


Principais formatos de clusters no contexto político brasileiro


  • Localização geográfica de alta granularidade (microbairros ou até quadras específicas)

  • Segmentação temática (exemplo: mães solo preocupadas com educação pública)

  • Segmentação por canais digitais (eleitores ativos apenas no WhatsApp ou grupos de Facebook, por exemplo)

  • Perfis sociodemográficos (idade, escolaridade, trabalho, renda, entre outros)

  • Comportamento eleitoral anterior e engajamento em lutas sociais locais

Em 2020, um estudo sobre as eleições em São Paulo demonstrou que 40% dos vereadores eleitos tinham seu resultado determinado praticamente por uma única micro-região da cidade – um exemplo claro de hipersegmentação geográfica.


Dados, inteligência e IA: a matéria-prima do microtargeting


No passado, campanhas dependiam quase exclusivamente da percepção intuitiva de lideranças e marqueteiros. Hoje, isso mudou radicalmente. Campanhas vencedoras em 2026 vão combinar a sensibilidade política ao uso responsável de dados, ferramentas digitais e inteligência artificial.

Temos acompanhado na Communicare o movimento crescente de análise preditiva dos comportamentos eleitorais. A IA, quando bem empregada, não substitui o trabalho humano; ela oferece insights, detecta padrões e sugere ajustes, muitas vezes antecipando ameaças e oportunidades nos microgrupos formados.

Nas campanhas digitais, as plataformas permitem microajustes de público. E a velocidade do ciclo de resposta é incrível: é possível testar múltiplas versões de um vídeo ou criativo no Facebook, WhatsApp e Instagram em poucas horas, observando a aceitação em clusters hiperdefinidos.


Ferramentas que transformam dados em votos


  • Plataformas de gestão de listas de eleitores e engajamento personalizado

  • Soluções de automação para envio segmentado de conteúdos em massa, mas individualizados

  • Mecanismos de análise preditiva para identificar temas, preocupações e inclinações de cada nicho

  • Painéis de acompanhamento em tempo real, facilitando respostas instantâneas às tendências observadas


Exemplos práticos de hipersegmentação na eleição de 2026


A seguir, apresentamos cenários reais e hipotéticos com aplicações de hipersegmentação que, em nossa visão na Communicare, serão decisivos nas eleições de 2026:


1. Microtargeting em regiões específicas


  • Candidata a vereadora em cidade média do Nordeste identifica bairros com alto índice de desemprego entre jovens. A campanha investe em mensagens sobre empreendedorismo e formação técnica, enviadas via WhatsApp apenas para esses bairros, impulsionando engajamento cinco vezes superior à média do município.

  • No Sudeste, um candidato a deputado estadual observa, com dados do TSE, aumento do eleitorado idoso. Produz vídeos curtos explicando direitos da terceira idade, mas patrocina-os apenas em microterritórios com maior concentração desse perfil.


2. Segmentação temática por grupos minoritários


  • Candidata à prefeitura de capital foca temas LGBTI+ em bairros periféricos onde cresceu a militância. Materiais digitais destacam respeito, ações concretas e defesa de políticas inclusivas, aumentando a adesão desse segmento. Segundo estudo sobre apelos temáticos, esse tipo de abordagem quase triplicou nos últimos 20 anos.

  • Campanha segmenta artesãos de bairro histórico, falando diretamente de inclusão em editais e feiras culturais, e só endereça o conteúdo a esses grupos, via Instagram e fóruns locais.


3. Segmentação digital: comportamento e afinidade


  • Equipes cruzam dados de buscas no Google e posts compartilhados em grupos regionais do Facebook, identificando circuitos preocupados com saúde pública. Em questão de horas, enviam convites segmentados para lives exclusivas sobre o tema para esses microgrupos.

  • Criam comunidades de WhatsApp voltadas a mães ativas em escolas, com conteúdos personalizados sobre educação infantil (usando insights detalhados, como mostramos no artigo sobre estratégias digitais na pré-campanha).


4. Segmentação baseada em emoções


  • Análise preditiva identifica eleitores com histórico de preocupação sobre segurança pública. Campanha envia material por WhatsApp abordando histórias reais e soluções, priorizando esses clusters em horários de maior índice de notícias sobre violência.

  • Mensagens audiovisuais distintas são preparadas para acolher ansiedade, indignação ou esperança, sempre lançadas de modo adaptado ao sentimento dominante de cada grupo, abordando tanto temas institucionais como questões locais e sindicais.


5. Hipersegmentação em conselhos profissionais e entidades


  • Em eleição de conselho de classe, lançam-se conteúdos sobre piso salarial e carreira apenas para profissionais de até cinco anos de formação, enquanto debates técnicos são destinados aos membros com participação ativa em associações e eventos.

  • Já em sindicatos, os temas relacionados a saúde mental ganham protagonismo entre jovens sindicalizados, enquanto aposentados recebem materiais focados em benefícios e luta pelo reajuste.

Em todos esses casos, há ainda uma camada sutil, porém poderosa: o ritmo de comunicação e o canal escolhido mudam conforme o perfil do cluster. Para uns, vídeos rápidos no TikTok; para outros, textos densos no Facebook; ou mesmo panfletos digitais para imprimir em casa, como observamos na última eleição da OAB.


Benefícios e desafios de praticar hipersegmentação


Os pontos positivos são muitos: aumento do engajamento, redução do desperdício de recursos da campanha, precisão na resposta aos anseios do eleitor e, claro, maior potencial de conversão em votos.

Mas existem obstáculos. O principal, a nosso ver, é a tentação de perder de vista a unidade narrativa da candidatura. Ou seja, buscar agradar um número excessivo de públicos pode tornar a comunicação incoerente ou dispersa. É preciso bom senso, estratégia e revisão constante do plano de comunicação.

Outro fator que precisa de atenção é o respeito à legislação eleitoral vigente, que exige equilíbrio entre personalização, privacidade do eleitor e o uso ético dos dados. Buscamos sempre ajudar nossos clientes a evitar riscos de imagem e jurídicos, investindo em transparência nas ações de microtargeting.


Campanhas que integram diferentes pilares de segmentação


Em campanhas recentes que estudamos na Communicare, o maior sucesso veio ao combinar múltiplos eixos de segmentação. Por exemplo:

  • Segmentação geográfica com segmentação temática (bairro + tema cultural relevante)

  • Segmentação digital e por comportamento (grupos WhatsApp + pauta urgente naquele grupo)

  • Segmentação demográfica e emocional (idade + sentimento predominante em pesquisas qualitativas)

Quanto mais personalizada a mensagem, maior a chance de ela mobilizar o eleitor.

É aqui que a integração de comunicação de mandato, marketing de guerrilha e microtargeting dão o tom do novo marketing eleitoral, como discutimos diretamente no nosso guia de campanhas políticas e guias de marketing político.


O papel da narrativa na hipersegmentação


Uma das principais armadilhas da hipersegmentação é a fragmentação da narrativa. Eleitores, ainda que heterogêneos, esperam coerência e propósito. Na Communicare, incentivamos campanhas a não apenas abrirem múltiplos diálogos, mas conectá-los a um discurso central.

Isso significa ancorar todas as mensagens direcionadas em valores e propostas universais do candidato, evitando que a campanha pareça oportunista ou dissimulada. O segredo está em adaptar a forma, mas não deturpar o fundo.

É necessário também investir em escuta ativa, retroalimentando o núcleo da campanha com insights dos microgrupos. Muitas vezes, é uma demanda identificada em um cluster minúsculo que se transforma no principal tema mobilizador da candidatura.


Como alinhar hipersegmentação com compliance e ética eleitoral?


Em um país onde se debate intensamente o uso de dados pessoais e as fronteiras da privacidade, alinhar hipersegmentação com ética e compliance não é opção, é responsabilidade. Uma campanha efetiva em 2026 precisará seguir diretrizes rígidas, garantindo que:

  • O uso de bases de dados seja autorizado, seguro e justificado

  • Os materiais digitais tragam transparência quanto à autoria e finalidade

  • O conteúdo personalizado respeite a não-discriminação e não explore temas sensíveis de modo ilegal ou imoral

  • O acesso e tratamento dos dados dos eleitores estejam em conformidade com a legislação eleitoral e a LGPD

Há riscos, sim. Mas os ganhos de integrar inteligência, tecnologia, narrativa, ética e compliance são evidentes. E se quiser aprofundar esse tema, recomendamos nosso artigo sobre como usar IA para fortalecer campanhas eleitorais em 2025.


Conclusão: Caminhos para campanhas vencedoras em 2026


Caminhamos para eleições cada vez mais singulares, com campanhas que dependem da sintonia fina entre dados, criatividade, inteligência humana e digital. Hipersegmentação não é “moda” passageira: veio para ficar, redefinindo o que entendemos por comunicação política eficiente.

Se há algo que a experiência na Communicare nos mostra, é que campanhas que alinham microtargeting, narrativa consistente e uso ético dos dados constroem diferenciais sólidos, tanto na base eleitoral como na reputação pós-eleição.

No contexto de 2026, esse será, talvez, o grande divisor de águas entre campanhas “do passado” e projetos realmente preparados para o novo ciclo eleitoral. Caso deseje conhecer formas de aplicar hipersegmentação na sua campanha ou entidade, desenvolvendo uma presença digital orientada por inteligência e performance, entre em contato conosco pelo formulário. Temos profissionais capacitados e experiência real para transformar sua estratégia em resultado.


Perguntas frequentes sobre hipersegmentação eleitoral



O que é hipersegmentação nas eleições?


Hipersegmentação nas eleições é a divisão do eleitorado em grupos minuciosos, definidos por características específicas, para personalizar mensagens e ações de campanha. Isso possibilita dialogar com mais precisão com cada segmento, aumentando as chances de engajamento e conversão de votos.


Como funciona a hipersegmentação política?


Funciona por meio do cruzamento de dados sociodemográficos, comportamentais e digitais, criando clusters de públicos-alvo. Para cada grupo, a campanha envia mensagens, conteúdos e abordagens adaptadas ao perfil e à motivação daquele segmento, usando canais e formatos personalizados.


Quais os exemplos de hipersegmentação em 2026?


Os exemplos vão de campanhas focadas em bairros com necessidades específicas, até comunicação temática voltada a grupos minoritários, profissionais de conselhos, jovens em plataformas digitais e microgrupos preocupados com temas locais ou emocionais. Em estudo recente de 2020 em São Paulo, mostrou-se que 40% dos vereadores eleitos tinham uma base altamente concentrada geograficamente, ilustrando bem o uso da hipersegmentação em campanhas locais.


Hipersegmentação realmente influencia resultados eleitorais?


Sim. Diversos estudos indicam crescimento de votos e engajamento quando campanhas dialogam de forma mais personalizada. Segundo pesquisa sobre as eleições presidenciais de 2022, a adequação temática das mensagens ao anseio de cada grupo gerou resultados superiores à média. A resposta imediata e direta aos interesses do eleitor faz diferença.


Quais os riscos da hipersegmentação eleitoral?


Os principais riscos estão ligados à fragmentação da narrativa central da campanha, ao uso inadequado de dados pessoais e à possibilidade de comunicação incoerente entre diferentes públicos. Para evitar problemas legais e de imagem, recomendamos sempre seguir as diretrizes de compliance, a legislação vigente e boas práticas de privacidade. Uma agência como a Communicare pode ajudar a alinhar tecnologia, estratégia e ética nesse processo.

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