
Identidade visual: 7 erros que enfraquecem pré-candidaturas
- João Pedro G. Reis

- 6 de nov. de 2025
- 9 min de leitura
No cenário político brasileiro, o cuidado com a apresentação visual de uma pré-candidatura pode ser o divisor de águas entre conquistar respeito ou cair no esquecimento. Em nossos anos de atuação pela Communicare, já observamos que uma identidade visual forte é muito mais do que estética: ela comunica valores, posiciona a candidatura e constrói confiança. Mas muitos candidatos, especialmente em pré-campanhas, negligenciam detalhes que se agravam com o passar do tempo, e pagam um preço alto por isso.
Neste artigo, vamos apontar os sete deslizes mais comuns em identidade visual cometidos por pré-candidaturas. Vamos analisar exemplos, os impactos negativos e direcionar para caminhos seguros, trazendo sempre à tona o elo entre imagem, reconhecimento e a confiança do eleitor.
Um retrato prático: por que identidade visual conta tanto?
Antes de entrarmos nos erros, queremos ilustrar com um pequeno caso real. Em uma eleição municipal recente, um pré-candidato iniciou sua jornada política usando espontaneamente o azul como cor principal, sem qualquer estudo ou rationale, apenas por ser sua cor favorita. No entanto, o tom escolhido se confundia com a comunicação de órgãos locais de fiscalização, prejudicando a diferenciação de sua marca e gerando ruído junto ao eleitorado, que não conseguia identificar claramente sua proposta.
Sua marca não existe se ninguém a reconhece.
Nas pré-campanhas, a pressa em “aparecer” acaba levando a decisões intuitivas, pouco embasadas e muitas vezes copiadas do que outros já fizeram. Mas, como destaca o Portal Diário do Aço, símbolos e cores carregam história, pertencimento e valores. A escolha desatenta pode afastar públicos ou transmitir mensagens que jamais foram planejadas.
1. Improvisação: a armadilha dos amadores
Tentar “quebrar o galho” com soluções internas costuma ser um dos maiores erros cometidos por pré-candidatos. Na pressa de lançar postagens e materiais impressos, muitas equipes informalizam a criação do logotipo ou do padrão visual com alguém do grupo que "sabe mexer no Canva". O resultado disso é sempre o mesmo: falta de coerência, dificuldade de aplicação em diferentes contextos e, acima de tudo, uma imagem que não transmite profissionalismo.
Um exemplo: certa vez, acompanhamos uma pré-candidatura sindical que optou por desenhar sua própria marca. Em menos de dois meses, o público confundia sua identidade com a de outro sindicato do mesmo ramo, gerando desgastes desnecessários e perda de credibilidade. Queremos lembrar que identidade visual é um ativo estratégico e precisa de dedicação técnica.
E não se trata apenas de agradar: trata-se de construir confiança e mostrar respeito pelo público.
2. Inconsistência visual nas diferentes plataformas
Muitas vezes, o Instagram apresenta uma imagem; o WhatsApp, outra; os impressos, outros padrões; e por aí vai. Essa falta de padronização transmite despreparo e desorganização. O eleitor percebe rapidamente quando há incoerência, e a mensagem é clara: “essa candidatura ainda não está pronta”.
Repare como, ao visitar perfis e receber diferentes tipos de materiais de candidatos, algumas marcas parecem “trocar de roupa” toda semana. O impacto é devastador no reconhecimento. O eleitor precisa de repetição, referência e fácil identificação para memorizar símbolos e nomes. Pesquisas indicam que é preciso, em média, de sete a nove exposições a uma marca para que ela seja lembrada com clareza.
Recomenda-se, desde o início, criar um manual de identidade visual, com normas de uso, paleta de cores exata, variações do logo e indicações de tipografia, exatamente como explicamos no artigo sobre como construir uma identidade visual de campanha do zero.
3. Paleta de cores sem critério
Subestimar a escolha das cores ou ignorar o significado por trás delas é outro erro frequente. O Portal Diário do Aço destaca que vermelho transmite energia e paixão, enquanto azul evoca confiança e estabilidade. Mas, além do sentido simbólico, as cores devem se destacar do ambiente político local, evitando confusão com adversários ou instituições já estabelecidas.
Já vimos casos, por exemplo, de candidatos que inadvertidamente escolheram tons próximos aos de órgãos governamentais ou associações rivais, gerando ruídos e prejudicando o reconhecimento. Nesse sentido:
Defina sempre uma paleta restrita e coerente
Teste a aplicação em diferentes tipos de mídia
Evite cores que possam ter conotação negativa na região ou segmento
O risco de improvisar por gosto pessoal ou “achismo” é terminar afastando, em vez de aproximar o seu público-alvo.
4. Tipografia inadequada
A fonte utilizada em uma pré-campanha diz muito sobre o estilo da candidatura e pode atrair ou repelir segmentos do eleitorado. Tipografias rebuscadas, ilegíveis ou desconectadas do perfil político são um atalho para confusão e ruído.
Outra armadilha é variar excessivamente o tipo de fonte, ora uma sans-serif moderna, ora uma serifada clássica —, tornando a leitura espinhosa e transmitindo hesitação. A recomendação, em nossa experiência, é:
Adotar no máximo duas famílias tipográficas, uma para títulos e outra para texto corrido
Evitar fontes com apelo infantil, excêntrico ou carregado de ornamentos
Testar sempre o contraste e a legibilidade, inclusive em dispositivos móveis
Em um cenário eleitoral em que a cada segundo novas mensagens aparecem para o eleitor, nenhuma candidatura pode se dar ao luxo de comprometer a clareza da sua identidade visual.
5. Falta de simbologia ou uso equivocado de símbolos
Por tradição, campanhas brasileiras usam símbolos para transmitir identidade, valores ou segmentação. Porém, o uso indiscriminado pode causar problemas. Símbolos complexos, plenos de detalhes ou com referências difíceis de interpretar só atrapalham. Além disso, copiar símbolos de movimentos, partidos, sindicatos ou entidades já consolidadas pode repercutir negativamente, seja por questões legais, seja por contaminação de imagem.
Lembramos de uma pré-candidatura sindical que achou interessante adotar uma engrenagem como símbolo principal, sem perceber que a mesma estava registrada por uma entidade estadual, o resultado? Processo e necessidade de reconstruir toda a marca às pressas durante o calendário eleitoral, aumentando custos e reduzindo impacto.
A dica: busque originalidade, significado e simplicidade. Símbolos precisam ser fáceis de lembrar, claros, e aplicáveis em tamanhos pequenos sem perder significado.
6. Menosprezo à fotografia e ao figurino do candidato
O vestuário, a postura e o tipo de fotografia oficial influenciam profundamente a percepção do eleitor, como destaca o Estado de Minas. Um erro recorrente é confiar apenas em fotos caseiras, com iluminação precária, poses improvisadas e roupas pouco planejadas.
Cores escuras e frias podem transmitir elegância, mas ameaçam parecer ostentação se mal escolhidas
Mangas dobradas criam a ideia de disposição para “colocar a mão na massa”
Jeans surrado pode gerar proximidade com o eleitorado popular, mas também transmitir desleixo
Nossa orientação sempre será investir em ensaios fotográficos profissionais, alinhados à linguagem da campanha e com figurino estudado de acordo com o público que se deseja aproximar. A soma entre visual do candidato e identidade da campanha precisa ser harmônica.
7. Falta de atualização ou coerência ao longo do tempo
A identidade visual precisa ser “viva” e, quando necessário, passar por pequenas atualizações para se adequar às novidades do cenário, mas sempre com cautela. Muitos pré-candidatos simplesmente abandonam a marca definida na largada, mudando elementos a cada nova fase da pré-campanha. Isso destrói todo o esforço inicial de fixação da imagem.
O ideal é prever etapas de revisão a cada novo ciclo de comunicação, sem jamais perder a essência, e estando sempre atento às tendências e ao perfil de público. No artigo quando atualizar uma identidade visual antiga para o digital abordamos como fazer isso com segurança.
Se o ambiente mudou, adapte com critério. Mas mantenha os pilares centrais, para garantir que a marca permaneça reconhecível e coerente.
O impacto de cada erro na percepção e confiança do eleitor
Durante processos pré-eleitorais, percebemos que a imagem visual atua como uma espécie de atalho emocional. Se for frágil, amadora ou inconsistente, desperta desconfiança. Elementos falhos fazem com que lideranças, filiados, associados e a própria comunidade questionem se o projeto é preparado o suficiente para gerir assuntos coletivos.
Recorrendo ao estudo sobre cores políticas, constatamos que, no subconsciente do eleitorado, sinais visuais formam impressões duradouras. Isso é ainda mais sensível em pré-campanhas, quando ainda não há um recall consolidado.
A primeira impressão raramente pode ser refeita.
Na nossa análise sobre estratégias de comunicação eficaz em pré-campanha, apontamos justamente como uma estratégia visual bem construída potencializa a confiança e destaca a candidatura da multidão.
Como criar uma identidade visual sólida em pré-campanhas?
A construção de uma identidade visual consistente vai além da criatividade. Considere estes passos fundamentais:
Análise de posicionamento: estude as campanhas concorrentes, identifique padrões, cores e elementos saturados no seu segmento e região; mapeie oportunidades de diferenciação (temos um passo a passo detalhado em nosso artigo sobre como mapear sua candidatura e evitar erros estratégicos).
Estratégia e significado: defina qual mensagem a identidade visual precisa transmitir. Escolha símbolos e cores que comuniquem seus valores, pertençam ao universo do público-alvo e tenham boa aplicação prática.
Manual de aplicação: crie um documento com diretrizes visuais, o padrão para uso da marca, as limitações, exemplos de aplicação correta e incorreta.
Padronização em todos os canais: garanta que as redes sociais, impressos, vídeos, banners e até figurino estejam alinhados ao padrão.
Testes e feedbacks: passe por avaliações com pessoas de dentro e fora da equipe antes de divulgar massivamente. Pergunte se está claro, legível, memorável e apropriado.
Revisão periódica: crie uma rotina de atualização (quando necessário) sempre prezando pela manutenção da essência original.
Profissionalização: invista na contratação de equipe com experiência nessa área ou busque consultoria especializada, como oferecemos pela Communicare.
Lembre-se: a essência da pré-campanha é testar a força das propostas, mas também fixar a imagem na mente do eleitor. Uma identidade visual forte e coerente fará seu nome ecoar com mais facilidade entre os concorrentes e potencializará todas as mensagens futuras.
Quais as consequências dos erros de identidade visual?
É comum, após meses de pré-campanha, vermos candidaturas que “patinam”. Nem sempre é problema de discurso, propostas ou falta de visibilidade: a raiz pode estar na identidade visual falha. Quando isso ocorre, os desafios são diversos:
Perda de memorização junto ao eleitorado
Dificuldade em engajar base e voluntariado
Desconexão dos materiais digitais e físicos
Desgaste de imagem em entidades e sindicatos
Receio de patrocinadores e apoiadores
Prejuízo para campanhas de microtargeting
Falta de credibilidade para futuras alianças
Muitos candidatos tentam ajustar durante a campanha, mas já é tarde: a identidade inicial foi a que ficou gravada, mesmo que de forma negativa. Por isso, na Communicare insistimos tanto na orientação preventiva, como detalhamos na análise sobre os erros de comunicação que afastam associados.
Como identificar e corrigir falhas?
Às vezes, estamos tão mergulhados no dia a dia da pré-campanha que não percebemos os sinais claros de que a identidade visual está incoerente. Listamos alguns sintomas:
Relatos de confusão entre sua marca e a de terceiros
Feedbacks do público sobre dificuldade de compreensão em diferentes materiais
Oscilação frequente entre padrões de cor e fonte
Dificuldade de aplicação em diferentes formatos (redes sociais, banners, camisetas)
Pouca ou nenhuma lembrança quando o eleitor é questionado sobre os símbolos da pré-candidatura
Se sua pré-campanha apresenta esses sinais, não hesite em buscar uma avaliação externa para reorientar rapidamente antes do período oficial de campanha.
O papel das emoções na escolha visual
Queremos reforçar que cada cor, forma e símbolo desperta sensações particulares. No âmbito da política, a associação emocional tende a ser ainda mais marcante, dados citados pelo Portal Diário do Aço mostram que o vermelho sugere paixão e o azul confiança, mas só fazem sentido quando utilizados em sintonia com o perfil do público. O contrário pode provocar rejeição espontânea ou simplesmente a invisibilidade da candidatura.
Colecionamos episódios em que pequenas alterações de cor, símbolo ou tipografia geraram mudanças perceptíveis nos índices de engajamento digital ou na resposta de bases sindicais e associativas. A mensagem é direta:
A identidade visual é um convite silencioso ao eleitor. Aceitar ou recusar depende dessa primeira impressão.
Em pré-campanhas, onde tudo ainda é instante de conquista, a atenção a esses detalhes é um investimento valioso. O trabalho com profissionais especializados, como propomos na Communicare, potencializa os resultados.
Conclusão
Uma pré-candidatura consolidada começa com escolhas responsáveis na comunicação visual. Erros de identidade afastam, desvalorizam e enfraquecem até os melhores projetos políticos e institucionais. Mais do que estética, é estratégia, posicionamento e transmissão de confiança.
Se você busca reconhecimento, engajamento e diferenciação desde a pré-campanha, recomendamos investir em um processo profissional. Aqui na Communicare, nossa equipe alia experiência em política, estratégias digitais e design para apoiar desde candidatos individuais até grandes associações.
Entre em contato conosco pelo formulário para conhecer nossas soluções de identidade visual de alto impacto. Estamos prontos para projetar a imagem da sua candidatura para o próximo nível.
Perguntas frequentes sobre identidade visual em pré-campanhas
O que é identidade visual para campanhas?
Identidade visual para campanhas é o conjunto de elementos como logotipo, símbolos, paleta de cores, tipografia, fotos do candidato e padrões gráficos que tornam a comunicação da candidatura reconhecível. Esses elementos ajudam a transmitir valores, posicionamento e diferenciar a candidatura das demais, criando memorização e facilitando que o eleitor associe a imagem à proposta. É um sistema visual padronizado e pensado estrategicamente para se conectar com o eleitorado.
Quais erros mais comuns em identidade visual?
Entre os principais erros em identidade visual destacamos: improvisação sem técnica, incoerência entre canais, escolha inadequada de cores, tipografia confusa, símbolos mal pensados, desprezo pelo figurino/fotografia do candidato e mudanças constantes sem propósito. Esses deslizes enfraquecem a comunicação, geram ruídos e prejudicam a confiança do eleitor.
Como criar uma identidade visual forte?
Para uma identidade visual forte, comece pelo estudo de posicionamento e concorrência, defina elementos que transmitam o DNA da candidatura, produza um manual visual, padronize todos os materiais e canais, realize testes com o público e, principalmente, consulte profissionais da área. Busque sempre simplicidade, originalidade e coerência com o público-alvo.
Por que identidade visual é importante?
A identidade visual é importante porque atua como o principal cartão de visitas da pré-candidatura. Ela garante memorização, fortalece a mensagem, gera empatia e credibilidade e diferencia o projeto dos concorrentes. Uma identidade despreparada pode afastar aliados e criar barreiras com o eleitor. É a porta de entrada para o relacionamento político.
Como evitar erros na identidade visual?
Para evitar erros, indicamos sempre: planejar com antecedência, buscar referências, analisar exemplos negativos e positivos, consultar especialistas em design para campanhas, documentar a marca em um manual de aplicação, manter a padronização e revisar periodicamente. Ou seja, tratamento profissional e visão estratégica desde a pré-campanha são o caminho mais seguro.




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