Votos de intera: quando poucos votos separam quem vai para a posse de quem fica para a próxima
- João Sampaio
- 19 de mar.
- 7 min de leitura
Por João Sampaio | Jornalista e consultor associado na Communicare
Entenda o que é o voto de intera, por que ele é decisivo nas eleições proporcionais para deputado e vereador e como construir esse estoque estratégico antes que seja tarde.
Para um candidato, a cena descrita a seguir é um roteiro de filme de terror.
Mais ou menos assim.
Depois de meses de intenso trabalho de base, milhares de kms percorridos em comícios, carreatas, dormindo mal, comendo mal, a família praticamente abandonada, dinheiro evaporando.
Enfim, a campanha perfeita (risos). Suor, saliva e sola de sapato. A fórmula de uma campanha-raiz foi seguida à risca e a vitória é certa.
As urnas se fecham e alguns minutos depois, os primeiros resultados.
O candidato não tem paz. Urna a urna, seção a seção.. nosso amigo já não aguenta mais.
Aos 98% de votos apurados, a projeção do partido indica sua vitória, na última vaga, mas isso não tem importância…
O grito entalado na garganta sai e ecoa em toda a vizinhança. A rádio da cidade anuncia a boa nova. Rapidamente a casa fica cheia. Cerveja gelada, fogo na churrasqueira. A festa vai ser boa e tudo vai rolar.
Só que não.
Com 100% das urnas apuradas, não deu pro nosso candidato.
Alguns míseros votos, recolhidos nos mais longínquos lugares, ali onde judas-perdeu-as-botas, o tiraram da última vaga. Agora nosso amigo é um suplente.
Fim.
Uma história assim aconteceu em Mangaratiba (RJ), em 2024. O candidato a prefeito Aarão Moura já estava comemorando a vitória com seus apoiadores quando foi surpreendido por uma virada na apuração das urnas. Por uma diferença de 125 votos, perdeu para o concorrente.

Candidatos que fazem uma campanha perfeita e no final perdem a cadeira por algumas dezenas de votos — às vezes na casa das unidades — é um fenômeno que acontece em todas as eleições.
O que fazer para evitar essa verdadeira tragédia?
Na Communicare, acreditamos que a melhor estratégia é construir reservas com estoques razoáveis de votos de intera.
Sua campanha já tem uma estratégia para o voto de intera? Fale agora com a Communicare. |

O que é o voto de intera
Em eleições proporcionais, pequenos blocos de votos dispersos podem ser a diferença entre conquistar um mandato ou ficar na suplência. Segundo dados do TSE, nas eleições de 2022 para deputado estadual, dezenas de candidatos foram separados do último eleito por margens inferiores a 500 votos.
Nas disputas eleitorais proporcionais — aquelas que elegem vereadores e deputados —, existe um tipo de voto pouco comentado fora do mundo da política, mas extremamente conhecido por candidatos experientes: o chamado voto de intera.
Não se trata de um conceito jurídico formal — você não vai encontrá-lo na Lei nº 9.504/1997 —, mas de uma expressão consagrada no vocabulário das campanhas para designar aquele voto que chega de forma dispersa, fragmentada, vindo de muitas direções diferentes.
Não é o voto do reduto clássico, nem o voto concentrado de uma comunidade organizada. É o voto que aparece em pequenas quantidades aqui e ali — em bairros, cidades ou grupos sociais distintos.
E, muitas vezes, é justamente esse voto que decide quem será eleito.
O voto que vem de todos os lados
Todo candidato começa uma campanha contando com seus chamados votos de base: família, amigos, apoiadores históricos, lideranças locais, grupos profissionais ou religiosos. Esse é o voto previsível, aquele que forma a "base da pirâmide" de votos da candidatura.
Mas as eleições raramente se decidem apenas com esse estoque inicial. Ao longo da campanha, entram em cena os votos de intera, em variadas formas e apresentações:
um eleitor que gostou de uma entrevista;
outro que recebeu um santinho na rua;
alguém que viu um vídeo nas redes sociais;
um conhecido de um conhecido que resolveu ajudar.
São votos pequenos, isolados, quase invisíveis quando analisados individualmente. Mas, somados, podem representar centenas ou até milhares de votos.
A matemática silenciosa da eleição
Em muitas disputas proporcionais, a diferença entre o último eleito e o primeiro suplente costuma ser mínima. Não é raro que 200, 300 ou 500 votos definam um mandato.
Ferramentas como o Atlas Eleitoral do TSE permitem visualizar esse fenômeno por zona e seção eleitoral — um insumo valioso para qualquer análise de dados eleitorais que oriente a campanha.
É nesse ponto que o voto de intera revela sua importância. Enquanto alguns candidatos concentram esforços apenas em redutos específicos, outros espalham presença por diferentes territórios: participam de eventos variados, concedem entrevistas, aparecem em comunidades distintas.
Essa estratégia cria um fenômeno curioso: um mapa eleitoral cheio de pequenos pontos, em vez de grandes manchas concentradas. No resultado final da urna, esses pontos se somam. E fazem diferença.
Casos reais: eleições perdidas por poucos votos
Rubens Recalcatti (PSD-PR) — perdeu a cadeira de deputado estadual por 10 votos, eleição de 2014
Diogo Moraes (PSB-PE) — perdeu a cadeira de deputado estadual por 70 votos, eleição de 2022
Márcio Patussi (PL-RS) — perdeu a cadeira de deputado estadual por diferença de 2.000 votos, eleição de 2022
Professora Rosa Neide (PT-MT) — mesmo com 124.671 votos, não se reelegeu deputada federal por conta do quociente eleitoral de 216 mil votos, eleição de 2022
Denis Bezerra (PSB-CE) e Ronaldo Martins (Republicanos-CE) — ambos passaram de 100 mil votos para deputado federal, mas não se elegeram porque seus partidos não alcançaram o quociente eleitoral, eleição de 2022
Professor Hoc (Podemos-SP) — teve 98.720 votos, mas a federação do Podemos só conquistou três vagas para deputado federal; ele foi o quarto mais votado da legenda e ficou como suplente, mesmo com quase 100 mil votos, eleição de 2022
Campanhas que ignoram o voto de intera pagam caro
Muitos candidatos perdem eleições porque subestimam o voto disperso. Apostam todas as fichas em um bairro, uma cidade ou um segmento profissional específico.
Quando o resultado chega, percebem que tiveram votação expressiva em um único lugar, mas faltaram votos suficientes no conjunto geral. Enquanto isso, outro candidato, com votação média em diversos locais, acaba ultrapassando.
É a lógica da política proporcional: regularidade muitas vezes vale mais que concentração. Uma boa análise de dados eleitorais antes da campanha pode revelar exatamente onde estão os territórios descobertos pelos concorrentes.
Não deixe os votos de intera para a sorte. A Communicare tem metodologia para mapeá-los e conquistá-los. |
A campanha que alcança além da bolha
O voto de intera também revela outra característica das campanhas modernas: a importância de não falar apenas para os próprios apoiadores. Em tempos de redes sociais, algoritmos e comunicação segmentada, muitos candidatos acabam conversando sempre com o mesmo público.
Mas a eleição se ganha justamente quando a mensagem atravessa a bolha, sai da militância e alcança o mundo dos anônimos. Quando chega em quem ainda não conhece o candidato. Quando gera aquele voto inesperado, dado por alguém que simplesmente achou a proposta interessante. Esse é o verdadeiro território do voto de intera.
Estratégias como conteúdo ultra-segmentado na pré-campanha, ativação de micro influenciadores e tráfego pago para públicos frios são caminhos concretos para romper essa bolha antes do período eleitoral.
O voto invisível que decide eleições
Nos mapas eleitorais, ele aparece como pequenos pontos espalhados. Nos relatórios de campanha, costuma passar despercebido. Nos discursos de vitória, raramente é mencionado.
Mas quem vive eleições de perto sabe: o voto de intera é o voto que frequentemente decide quem assume o mandato e quem terá que esperar a próxima disputa.
Porque, no fim das contas, eleição não é apenas mobilizar quem já está convencido. É também conquistar, um a um, aqueles votos que ninguém tinha certeza que viriam.
Buscar votos nos mais distantes rincões continua sendo uma das formas preferidas para assegurar estoques importantes de votos de intera — e estratégias como táticas de guerrilha offline em cidades pequenas e material impresso estratégico ainda fazem toda a diferença. Mas não é a única que funciona.

Perderam a eleição por pouquíssimos votos. Não seja esse candidato.
Alguns casos selecionados de candidatos que, por poucos votos, perderam a eleição para deputado:
Caso 1: Rubens Recalcatti (PSD-PR) — Perdeu a cadeira de deputado estadual por 10 votos de diferença, na eleição de 2014.
Caso 2: Diogo Moraes (PSB-PE) — Perdeu a cadeira de deputado estadual por 70 votos de diferença, na eleição de 2022.
Caso 3: Márcio Patussi (PL-RS) — Perdeu a cadeira de deputado estadual por diferença de 2.000 votos, na eleição de 2022.
Caso 4: Professora Rosa Neide (PT-MT) — Mesmo com 124.671 votos, não se reelegeu deputada federal por conta do quociente eleitoral de 216 mil votos, na eleição de 2022.
Caso 5: Denis Bezerra (PSB-CE) e Ronaldo Martins (Republicanos-CE) — Ambos passaram de 100 mil votos para deputado federal, na eleição de 2022, mas não se elegeram porque seus partidos não alcançaram o quociente eleitoral.
Caso 6: Professor Hoc (Podemos-SP) — Teve 98.720 votos na eleição de 2022, mas a federação do Podemos só conquistou três vagas para deputado federal; ele foi o quarto mais votado da legenda e ficou como suplente, mesmo com quase 100 mil votos.
Transforme cada voto em poder: conquiste o voto que decide
Na Communicare, estamos prontos para ajudar sua campanha a conquistar o voto de intera, a partir da aplicação de estratégias de comunicação política direcionadas especificamente para alcançar o voto disperso:
Identificação de micro influenciadores e lideranças segmentadas
Produção de conteúdo ultra segmentado, voltado a pautas esquecidas, grupos invisíveis e interesses difusos
Tráfego pago e publicidade programática com segmentação geográfica e por perfil
Banco de apoiadores e régua de relacionamento contínua
Campanhas de remarketing para reengajar eleitores que já tiveram contato com a candidatura
Inteligência competitiva para identificar territórios descobertos pelos concorrentes
Fale agora com a Communicare e comece a construir seu estoque de votos de intera. |
Sobre o autor
João Sampaio é jornalista especializado em Comunicação Política e consultor associado na Communicare. Foi editor de Política dos jornais O Tempo e Hoje em Dia e assessor de comunicação da Vice-governadoria de Minas Gerais. Atuou na coordenação de comunicação em campanhas para deputado, senador, prefeito e vereador. É coautor do livro O Eleitor Conectado, que aborda estratégias de engajamento político na era digital.
